Domingo, Abril 12, 2009

mais uma pro arquivo...

"O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes havia visto
E sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...

Creio no mundo como num malmequer
Porque o vejo.
Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência
E a única inocência, não pensar..."

(Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914)

Sexta-feira, Abril 10, 2009

A criação do homem-novo tecnológico

Mais um dia de trabalho
Cansativo, porém honesto
Saudável pra quem gosta
Em busca de excelência no trato
Tete-a-tete com as pessoas
(como se escreve isso hoje em dia?!)

Na frente do computador
Controle do trabalho
Dos colegas médicos
Melhor dizendo, auxílio
Ao trabalho médico alheio

E aqui mesmo
Me vejo numa situação diferente
Longe de casa por um tempo...

Entretanto
Perto da família...
Mamãe me acaricia por telefone
Mimando e protegendo
Suas crias por celular
E papai,
Com o modo austero dos pais de antigamente
E a benevolência dos avós da época dos meus
Educa seus filhos via e-mail

Distantes?
Não sei ao certo...
Antes, achava tudo muito impessoal, dessa maneira
Mas hoje, me aproximo também de modo não analógico
Criando laços de convivência digital
Nesse mundo novo pra todos nós